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Biografías |
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António Augusto Esteves Mendes Correia (o seu nome completo) deu um enorme contributo para o ramo da Antropologia Biológica tanto a nível nacional como internacional, sendo ainda hoje reconhecido como uma das grandes figuras nacionais no panorama da Antropologia. Tendo nascido a 4 de Abril de 1888, frequentou mais tarde o curso de Medicina, que terminou no ano de 1911 com as mais elevadas classificações. Nesse mesmo ano foi nomeado assistente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde iniciou, no ano seguinte, o ensino da cadeira de Antropologia. Em 1913 fez concurso de provas públicas, na mesma faculdade em que leccionava, e, em 1921, conseguiu ascender a professor catedrático. A partir de 1919 também foi professor de Geografia e de Etnologia na Faculdade de Letras da cidade do Porto – faculdade essa que viria a ser, anos mais tarde, extinta. No entanto, foi na 1ª destas duas Faculdades que chegou a Director e regeu diversas cadeiras, sempre com grande brilho e proficiência. Mendes Correia realizou trabalhos de investigação em diversos domínios da Antropologia, Arqueologia, Etnologia, etc. Foram especialmente estes trabalhos que lhe valeram uma reputação a nível internacional. As suas qualidades de professor, conferencista e investigador, abriram-lhe, desde muito novo, as portas de agremiações científicas das mais categorizadas. Contam-se, entre outras: doutor honoris causa das Universidades de Lião, Mompilher e Joanesburgo; sócio da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História, da Academia Pontifícia de Ciências (Nuovi Lincei), do Real Instituto Antropológico da Grã-Bretanha, da Sociedade de Antropologia de Paris, etc. (1)
Possuía igualmente numerosas condecorações nacionais e estrangeiras. Foi o membro Fundador do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto, que ostenta – ainda hoje – o seu nome. Com outros professores do Porto, fundou, no ano de 1918, a Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia, de que foi presidente e importante animador. O vol.XVII (1959) dos Trabalhos foi-lhe consagrado. As investigações antropológicas das Províncias do Ultramar tiveram em Mendes Correia um dos mais calorosos defensores. Foi ele que, no ano de 1946, assumiu a direcção da Escola Superior Colonial, mais tarde denominada Instituto Superior de Estudos Ultramarinos. Simultaneamente, foi eleito presidente da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais. Presidente da Câmara Municipal do Porto e procurador à Câmara Corporativa de 1936 a 1942 , a acção de Mendes Correia fez-se sentir de maneira notável sobretudo no âmbito cultural. Foi ainda deputado à Assembleia Nacional (1945-56) e ocupou, desde o ano de 1951, a presidência da Sociedade de Geografia de Lisboa. Acabou por morrer em 7 de Janeiro de 1960, em Lisboa, com a idade de 71 anos Obra Quanto
à obra produzida por Mendes Correia, é de uma tal vastidão que se
torna absolutamente impossível referi-la toda, num trabalho desta
dimensão. Publicou mais de 300 trabalhos 1,
sobretudo na área de Antropologia, Criminologia e Arqueologia. Entre eles
figuram as suas principais obras: Principalmente dedicado à Antropologia, interessou-se também pela Criminologia, Pré-História, Demografia, assuntos pedagógicos e coloniais, etc. Sobre a origem do Homem, manifestou-se evolucionista e monogenista. Relativamente à natureza do homem de génio e ao problema do delinquente combateu as doutrinas de Lombroso, estudando a distribuição geográfica dos homens superiores em Portugal e as produções literárias e artísticas dos alienados, e encarando, em Criminologia e em Penologia, como sendo preponderante a definição da personalidade bio-psico-moral do criminoso. Estabeleceu a individualidade antropológica do tipo predominante nos concheiros pré-históricos de Muge, tipo que designou por Homo after taganus. Admitiu a antiguidade pré-celta dos Lusitanos, considerando-os como o principal elemento etnogénico do povo português. Por várias razões, localizou na baçia do Índico o presumido berço da Humanidade (arco antropofilético índico). Emitiu uma hipótese de penetração de alguns elementos étnicos na América do Sul, por via antárctica, numa data geológica anterior aquela que então se pensava. Fez numerosas investigações de osteometria portuguesa , de antropologia das colónias portuguesas , de antropologia dos sambaquis brasileiros, etc. Ocupou-se também de problemas de biologia humana como os grupos sanguíneos, as constituições, a masculinidade nos nascimentos, etc. Fundador do Museu Antropológico do Instituto de Antropologia da Universidade do Porto, onde reuiniu muitos materiais, constituiu ali, com vários colaboradores e discípulos, uma verdadeira escola antropológica, que continua a tradição do núcleo da Portugália, à qual pertenceram Ricardo Severo, Rocha Peixoto, José Fortes, Fonseca Cardoso, etc. Além das suas viagens ao Brasil em 1934 e 37, fez uma missão científica especial à Guiné Portuguesa, no ano de 1946. |
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Referências |
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